A avaliação da educação
Dez 17, 2008 Política, Verdade pura Publicado por Ricardo Tavares
Na sequência de convite da Direcção deste Jornal no sentido de contribuir de algum modo, semanalmente, com as minhas, e apenas minhas, reflexões sobre assuntos da actualidade e que possam interessar o leitor, decidi no meu primeiro contacto com este, reflectir, e assim, reflectirmos, sobre a temática da educação.
A isso não é alheio o facto de na passada semana, no dia 12 do presente mês, se ter debatido, num encontro organizado e promovido pelo PSD de Oliveira de Azeméis, a avaliação da educação.
Convidados vários intervenientes representativos dos diversos agentes educativos… de professores a alunos e associações de pais, em poucas, mas muito proveitosas horas, foram-se transmitindo a uma plateia muito atenta e presente a realidade do nosso sistema educativo.
A importância do debate sobre esta matéria impunha-se no presente momento em que as notícias diárias sobre a crise económica tendem a ofuscar temas como a educação cujo debate e diagnóstico de problemas é tão ou mais estrutural para a maioria dos portugueses do que outros como o desemprego, a incerteza nos investimentos, a asfixia fiscal às empresas, a desmotivação dos empresários, a ausência do poder de compra, a falta de pagamentos, a crise social a isso associada e tantos outros que me escuso de elencar, para desde já não desanimar todos quantos ainda acreditam no Pai Natal .
Mas voltemos ao tema que aqui me trouxe.
Do referido debate cheguei à conclusão de que o alarido existente acerca da avaliação dos professores é um minus face aos diferentes problemas que urge resolver e que atingem todos os intervenientes neste sector. Os professores manifestaram-se desanimados, desmoralizados e desenganem-se todos quantos pensem que tal deriva apenas do dossier agora mediático sobre a avaliação daqueles. Nenhum professor recusa a avaliação ou sequer ser avaliado. Recusam-se porém, é, num estado que se quer, ou querem simplex, deixar de ensinar para se substituírem às autoridades e aos pais.
Vi os professores desmoralizados com a constante e persistente descredibilização da sua actividade, da sua imagem, com o corte da sua autoridade e o clima de terror, ameaça e retaliação provenientes do seu legitimo direito à discordância; desprotegidos face ao avolumar da indisciplina, à impossibilidade de exercer autoridade, porque os agressores ” provêm de ambiente familiar instável, também são vítimas e os castigos poderão agravar ainda mais o conflito”, porque também têm de substituir os pais na sua função de educadores uma vez que estes se queixam que eles próprios “já não têm mão em crianças de 10 anos”, porque têm de dar aulas e educar todas as crianças e jovens que não se integram no ensino regular, sem qualquer formação adicional específica para esse fim; porque têm de se preocupar a arranjar justificações em Conselhos de Turma para não dar tantas notas negativas aos alunos quando estes as merecem, entre outras, e estão sujeitos e são obrigados a acatar todas as mais diversas imposições perante o avolumar das adversidades, sem uma palavra de conforto, um estímulo, uma motivação acrescida e sem quaisquer condições.
Vi os alunos solidários com os seus professores, sem estarem instrumentalizados.
Vi os pais solidários com os professores porque os pais também são professores, porque a educação não é só dada na escola…
Existem assim outros problemas graves que interessa ao poder não sejam discutidos, mas que avolumam as reivindicações e contribuem para a actual situação de mal-estar na educação em Portugal; problemas que prejudicam a formação dos nossos alunos, e que, a par da avaliação dos professores, têm de ser trazidos a lume, discutidos pela sua importância e resolvidos sem adiamentos.
É a Educação uma das maiores, mais importantes, actuais e necessárias obras estruturais e de investimento público que ora se precisa em Portugal.
Importa pensarmos nisto, porque a verdade compensa.




Deixe uma resposta