Há saúde que resista?
Mar 9, 2009 Política, Verdade pura Publicado por Ricardo Tavares
A 14 de Março de 2006 o então Ministro da Saúde, Dr. Correia de Campos, anunciou o encerramento da Maternidade de Oliveira de Azeméis. Foi uma decisão unilateral e plena da prepotência que haveria de levar o Ministro a ser substituído nas suas funções.
Ainda assim, numa fase já algo desesperada de manter-se no governo o Ministro Correia de Campos encetou uma vaga de negociações para vender a imagem de homem de diálogo. Com Oliveira de Azeméis assinou um acordo em Julho de 2007 que previa obras nas degradadas instalações do nosso hospital para ali funcionar um Serviço de Urgência Básico.
Com a preciosa comparticipação financeira da autarquia a Administração Regional de Saúde concretizou as obras e o serviço foi inaugurado funcionando relativamente bem.
Só que, o tal acordo firmado há quase dois anos previa também que o Centro de Saúde funcionasse em horário alargado, através do sistema de «consulta aberta». Deveria o Centro de Saúde ter passado a funcionar entre as 08h00 e as 22h00, nos dias úteis, e entre as 09h00 e as 15h00, aos fins-de-semana e feriados. Em períodos excepcionais “em função da procura e de períodos sazonais em que aumenta a população residente sem médico de família” previa ainda que estas consultas abertas pudessem funcionar até às 24 horas.
Mas o que aconteceu? Tudo ficou como estava…
O documento previa também a criação de Unidades de Saúde Familiares e uma Rede de Cuidados de Continuados Integrados destinada a «reorientar a procura dos cuidados de saúde primários» e adequar melhor os cuidados prestados no domicílio».
Mas o que aconteceu? Nada…
Perante isto temos que nos questionar se as reais intenções do Ministério da Saúde são, efectivamente, concretizar aquilo a que se obrigou através do protocolo assinado.
Ainda sobre o estado da saúde em Oliveira de Azeméis importa questionar o estado do processo do novo hospital.
Em Abril de 2008 num despacho da actual Ministra da Saúde assume-se pela primeira vez que vai ser construído um novo Hospital em Oliveira de Azeméis mas de então para cá a única evolução conhecida sobre a matéria é a disponibilização de terrenos pela autarquia para a sua construção confirmada na resposta do Ministério da Saúde a um requerimento do deputado Hermínio Loureiro sobre o assunto.
A somar a tudo isto temos vindo a assistir de forma mais ou menos velada a uma desmobilização de serviços e valências no Hospital de Oliveira de Azeméis.
Para completar este retrato sombrio temos o adiamento sucessivo da conclusão do novo Centro de Saúde mesmo depois do empreiteiro ter abandonado a obra há anos.
Há saúde que resista a este estado de coisas?
Tags: centro de saúde, hospital, saúde




Deixe uma resposta