Credibilidade

Fez a semana passada quatro anos que o Governo de José Sócrates tomou posse.

Na hora do balanço, hoje, o nosso país atravessa uma conjuntura pouco favorável, com os portugueses deprimidos e descrentes quanto ao futuro.

Tem-se falado muito em crise, associando-se este termo principalmente à crise económica, ao desemprego, à falta de incentivo, à falta de confiança dos empresários.

Mas estes problemas, que são uma realidade incontornável e que contribuem para o ambiente de medo e revolta em que vivemos, na minha óptica são mais facilmente resolúveis do que outro problema que vou designar por enfraquecimento do regime em que vivemos.

Hoje, as Instituições, quase todas, não têm credibilidade.

A Assembleia da República tem cada vez menos prestígio e credibilidade; o Governo, seja de que partido for, tem cada vez menos respeito, e cada vez menos pessoas de referência querem dele fazer parte; o mesmo se passa nas autarquias. Os partidos políticos e os políticos têm sucessivamente vindo a perder prestígio e respeito. A comunicação social toda, associada a diversos interesses, controversa e polémica, também não tem associada a si uma imagem de verdade, isenção e imparcialidade. Os bancos não são credíveis. O Banco de Portugal não merece o crédito de ninguém. A Justiça tem vindo a sofrer um problema de impunidade e responsabilidade, para além da lentidão, ineficácia e até mesmo isenção e independência.

Tem que se resolver primordialmente este problema de falta de credibilidade.

Nestes quatro anos o Governo do PS deu um contributo decisivo para a falta de confiança dos portugueses nas Instituições.

E não foi por falta de condições políticas.

Pela primeira vez o PS teve uma larga maioria absoluta, uma boa cooperação institucional com o Presidente da República, que lhe permitia encetar as reformas necessárias à sua credibilização.

Agora que estão passados quatro anos de ausência de acção credibilizadora José Sócrates e seus pares falam como se não tivessem responsabilidades no actual estado de coisas e dizem que vão fazer e acontecer.

Não fizeram no passado e dizem que vão fazer no futuro.

Ainda alguém acredita?

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