Irrresponsabilidades penalizantes

Na passada semana assistimos ao encerramento de mais uma extensão de saúde no nosso
concelho. Desta vez ocorreu em S. Martinho da Gândara, freguesia que se junta às já
encerradas extensões de saúde de Fajões e Travanca.

A população de S. Martinho, reunida no seu centro paroquial, mostrou a sua indignação
e surpresa pelo sucedido, reacção que é compreensível. Penso aliás que é uma daquelas
decisões que não pode deixar ninguém indiferente. Nestas alturas não podem haver questões
menores a separarem os partidos políticos pois trata-se da defesa de algo essencial, o direito
a bons cuidados de saúde para os habitantes do concelho. Face ao ocorrido, as forças vivas do
concelho devem intervir e tentar influenciar positivamente os decisores procurando que este
tipo de medidas seja evitado ou revertido.

As justificações que as entidades oficiais apresentam para estes encerramentos são várias,
sendo que muitas delas não convencem. Grande parte da população portuguesa identifica
estas medidas como resultantes de preocupações economicistas. No entanto, no que diz
respeito à saúde a principal preocupação não pode ser de maneira nenhuma uma preocupação
meramente monetária. Como é óbvio, não defendo que se mantenham centros de saúde
sem condições e que não prestem serviços de qualidade. Mas considero que a saúde deve ser
acessível e de qualidade para todos, pelo que em vez de se encerrarem centros de cuidados
médicos, têm é que se dotar estes mesmos serviços de valências e condições para que
prestem bons serviços às populações.

O fim das unidades de saúde nas freguesias do nosso concelho é um revés no desenvolvimento
de região. Por esta razão certamente assistiremos a formas de luta por parte das populações,
que percebem muito bem o impacto negativo que estas decisões têm no seu nível de vida.

Num âmbito completamente diferente, não poderia deixar passar esta semana sem fazer um
pequeno comentário às últimas declarações do senhor Bastonário da Ordem dos Advogados,
que afirma que existe uma agenda política oculta por parte de alguns magistrados com o
intuito de derrubar e desprestigiar o nosso primeiro-ministro, mas recusando-se a revelar
nomes. É uma irresponsabilidade lançar ideias para o ar e depois não as concretizar. Se
não fossem graves e vindas de alguém que representa uma ordem profissional de grande
importância, daria para rir. Primeiro, este senhor parece esquecer que os jornalistas, que são
quem tem vindo a denunciar algumas situações mais ocultas do nosso primeiro-ministro e do
nosso governo, não são magistrados. Convenhamos que aparentemente quem realmente tem
uma agenda política paralela é o senhor bastonário. É a sede do protagonismo a todo o preço.
Perde com isto a Ordem dos advogados.

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