Governo desnorteado

25 De Abril, data de comemoração da revolução de Abril, ocorrida há 36 anos. Data de
comemoração da liberdade, da democracia e, já agora, da solidariedade. É data comemorativa
do que atrás invoquei, mas também data que nos deve a todos fazer reflectir sobre a
qualidade da nossa democracia, e sobre as nossas perspectivas de futuro.

É inegável que muito foi conseguido ao longo destes 36 anos de democracia. Temos um
sistema democrático sólido e temos tido fases de desenvolvimento económico-social
relevantes. Mas nem tudo foram rosas, aliás é mais apropriado dizer que nem tudo foram
cravos. O problema é que Portugal tem também tido momentos de grande dificuldade, ligados
também a alguma incompetência de quem tem responsabilidades governativas. Estamos
exactamente num desses períodos.

Temos um governo desnorteado, que não sabe ou não quer saber o que se passa no país (veja-
se o caso das nossas contas públicas e os números do défice). Um governo que continua a
culpar a crise internacional pela difícil situação financeira portuguesa, parecendo esquecer
que os mercados internacionais começam a dar mostras de melhoria, e que entretanto
reputados economistas a nível mundial vão falando da situação portuguesa, identificando
a nossa economia e contas públicas como das mais frágeis da União Europeia. Como se não
bastasse, os novos números do desemprego continuam a bater recordes. O fosso entre ricos e
pobres acentua-se, a classe média vai sofrendo as consequências da crise, e vamos assistindo
a verdadeiros atentados ao bom senso, no caso das remunerações de alguns gestores públicos
(veja-se o caso de António Mexia na EDP). Note-se que sou daqueles que defende uma justa
remuneração para os que se revelam uma mais-valia para as suas empresas, criando valor para
o accionista. Defendo justas retribuições para quem tem mérito, mas não posso concordar que
no caso da EDP, à custa do escandaloso preço praticado em situação de monopólio, recebam
milhões.

Por outro lado no nosso país, no campo social, está igualmente tudo ao contrário. Temos de
ser solidários com quem precisa, mas devemos ser justos com aqueles que, usufruindo de
uma “benesse” chamada rendimento de inserção, abusam e procuram passar toda a sua vida
como subsídio-dependentes. O pior é que estes têm a complacência de uma certa esquerda
chique, nomeadamente do Bloco de Esquerda, que lhes permitirão continuar a ser subsídio-
dependentes.

Trinta e seis anos após a revolução de Abril, o balanço é obviamente positivo. Hoje sou livre
para escrever o que entendo, sem censura. Isso já é uma grande conquista, mas muito há
ainda a fazer e muitas mentalidades têm ainda de mudar.

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