Um peso e duas medidas

Na passada sexta feira a TVI divulgou, no âmbito do caso Freeport, um DVD que agora dá imagem às vozes que já anteriormente tinham sido divulgadas. Se alguém tinha dúvidas sobre a existência de tal conversa elas desvaneceram-se.

O primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, é apontado como corrompido pelos protagonistas do famoso filme. Obviamente que não vou condenar José Sócrates. Terá que ser a Justiça a avaliar os factos, apurar a verdade e a tirar as suas conclusões.

No mesmo dia tive conhecimento de que o Tribunal da Relação do Porto, por acórdão, tinha confirmado a decisão de absolvição do Presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis dos crimes de que foi acusado.

Então recordei-me de todo o contexto de maledicência, oportunismo político e irresponsabilidade que foi criado pelo PS de Oliveira de Azeméis quando o processo-crime, numa fase embrionária, apontou para o julgamento do presidente.

Foi notícia em todo o país graças a uma conferência de imprensa onde o PS pediu a demissão do Presidente da Câmara Municipal alegando que o mesmo não tinha condições para se manter no cargo.

A Presidente da Comissão Política do PS, Dra. Helena Terra, protagonizou com entusiasmo e convicção essa demanda. Basta consultar as notícias que foram publicadas para perceber a excitação que este assunto provocou na estrutura socialista local.

Diferente foi a postura, séria e equilibrada, da concelhia do CDS, liderada então por Óscar Amorim que defendeu a “presunção da inocência”.

A mesma presunção da inocência defendeu o PSD, quer através do Dr. Marques Mendes, quer através da estrutura local, bem como a quase generalidade dos oliveirenses.

Voltando ao caso Freeport. Continuo a advogar a presunção da inocência de José Sócrates, apesar do DVD.

Mas não posso deixar de estranhar que o PS local não peça a demissão do Primeiro-Ministro. Afinal, para haver coerência, a Dra. Helena Terra teria que afirmar que o seu líder partidário não tem condições para estar à frente do Governo.

Ou será que os argumentos por ela utilizados para Ápio Assunção já não são válidos para José Sócrates?