Incómodos (2)

Os Bombeiros de Oliveira de Azeméis estão a atravessar uma situação complicada em termos financeiros. As administrações regionais de saúde devem à corporação cerca de 250 mil euros, verba que, como se pode imaginar é, absolutamente crucial para a gestão diária da corporação.

No aniversário comemorado há dias a Direcção ameaçou demitir-se em bloco se o problema não fosse resolvido.

Reuni com a Direcção dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis onde este problema me foi transmitido e estou, obviamente, muito empenhado na sua resolução, tendo já em nome do PSD de Oliveira de Azeméis, dirigido uma carta à Ministra da Saúde a apelar à resolução.

Entretanto, o secretário de Estado da Saúde Manuel Pizarro esteve na Quinta do Torreão numa acção de campanha do PS local. O secretário de estado da Saúde é a pessoa que pode, objectivamente, resolver este problema ordenando às administrações regionais de saúde o cumprimento das suas obrigações perante os Bombeiros.

Mas… alguém ouviu alguma coisa a Manuel Pizarro sobre o assunto dos Bombeiros?

Nem uma só palavra!

Preferiu falar do que não sabe e dizer uma série de coisas sem nexo às poucas pessoas que o ouviram.

Sobre coisas sérias, sobre coisas que interessam aos oliveirenses como é, por exemplo, o caso da falta de pagamento aos Bombeiros, Pizarro - repito, a pessoa que pode objectivamente resolver o problema - não proferiu uma única palavra e, pior que isso, não fez absolutamente nada.

Mas no Partido Socialista nem tudo é mau.

De vez em quando há também alguns rasgos de lucidez. Foi o que aconteceu na passada sexta-feira.

O Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do PS, depois do desaire eleitoral nas Europeias e das subsequentes sondagens que relegam o PS para segundo lugar nas intenções de voto, reuniu em segredo com os presidentes da Federações distritais e impôs uma regra inesperada a dezenas de deputados daquele partido que já assumiram ser candidatos a câmaras municipais.

Aquele grupo de dirigentes decidiu, como já defende e pratica o PSD, que esses deputados apenas devem ser candidatos a um lugar. Ora isso fará com que, pelo menos nos casos dos que já fizeram as suas apresentações públicas como candidatos a câmaras municipais, não lhes reste alternativa senão abdicar do lugar de deputado.

Uma tomada de decisão muito acertada apesar de algum desconforto que criou pelo país fora e em Oliveira de Azeméis também.